Pequenos ajustamentos

Depois de Rajoy ter mexido na lei do aborto espanhola “para preservar o direito à vida”, eis que Passos Coelho e companhia se dizem dispostos a preparar um “balanço” da lei portuguesa para, quiçá, fazer-lhe “pequenos ajustamentos”.

Dado o forte peso do sim ao aborto legal, esses ajustamentos provavelmente não serão a desvirtuação da lei, mas a imposição do pagamento pela interrupção da gravidez: talvez em abortos seguintes ao primeiro, talvez mesmo em todos. O que pode ser problemático, já que boa parte de quem aborta ou não tem dinheiro para contraceptivos ou condições para acrescentar mais um à família.

Mas pode ser que os ajustamentos pensados venham a ser de outro tipo, inspirados pela humanista doutrina cristã. Nesse caso deixo aqui algumas notas, retiradas daqui e daqui:

– A percentagem de abortos por país é sensivelmente a mesma quer eles sejam legais ou ilegais;
– Os dados sugerem que a melhor forma de reduzir essa percentagem não é tornando o aborto ilegal mas fazendo com que haja mais contraceptivos à disposição;
– Entre 1996 (quando legalizou o aborto) e 2007 a África do Sul viu baixar em 90% a taxa de mortalidade de mulheres que abortaram;
– A percentagem de abortos é especialmente grande em Cuba, devido aos poucos métodos contraceptivos. Em 1990 foram 33% as adolescentes que abortaram;
– No Uganda, onde o aborto é ilegal e se incentiva à abstinência, a taxa de abortos foi de 54/1000 em 2003, mais do dobro dos Estados Unidos e quase o quíntuplo da Europa Ocidental.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s