Impostos e representação

O João Miranda dá aqui e aqui a entender que seria legítimo que a Alemanha, porque credora, tivesse assento no parlamento grego. “Taxation” sem “representation” não lhe faz sentido (mesmo que a UE não seja federal, o que é um pormenor, imagino). Suponho que essa representação fosse proporcional: Merkel e companhia nomeariam 33,8% dos deputados, os sociais-democratas 23%, os liberais 14,6% e por aí fora, de acordo com os resultados das eleições federais de 2009 na Alemanha.

Aliados, como em casa, os conservadores e os liberais teriam também apenas o peso relativo que lhes cabe: a França, a quem os gregos devem mais de 40 mil milhões, teria quase o triplo da representação alemã (15,9 mil milhões). Até Portugal lá mandaria uns galambas, metade dos alemães: os -opoulos devem-nos 7,5 mil milhões. Dificilmente a bandeira grega no parlamento passaria à meia-haste.

Tendo a Alemanha 176% de dívida externa em percentagem do PIB, contra os 252% gregos, também o parlamento alemão mudaria ligeiramente: França, Itália, Estados Unidos e Japão lá estariam para ferir o orgulho nacionalista, estimulando o europeísmo e ajudando à sensação de pequenez relativa que não parece fazer nada mal aos alemães.

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