destruição criativa

O triunfo dos genes

Março 10, 2010 · Deixe um Comentário

[Este foi originalmente para o Aparelho de Estado]

O que faz um político homossexual, como Roy Ashburn, opor-se durante 14 anos ao alargamento de direitos cívicos aos gays? O oportunismo, dirão uns: a ambição profissional até os instintos mais básicos está disposta a renegar. Legitimado por votantes conservadores, o político abdicaria assim dos seus princípios e seria um mero filtro da vontade desse seu eleitorado. Estranha visão de representatividade, esta, em que o representante deixa de parte o mais elementar da sua personalidade por ganhos nas urnas.

Estará alguém disposto a transformar a sua vida numa mentira a troco de reconhecimento público? Talvez, mas dificilmente não sem uma grande dose de auto-censura. Noutros termos, o homossexual que se mascara de machão não está apenas a brincar ao Carnaval; ele é capaz de conviver permanentemente com a mentira porque se recrimina por ser o que é. O homossexual que assim age acha-se inferior, anormal. Provavelmente foi socializado para pensar assim. Mas, no final, os genes não são recalcáveis; eles são irreprimíveis.

Ashburn tirou a máscara depois de ter sido apanhado bêbedo num bar gay. O mesmo aconteceu – lembram-se? – a Jörg Haider, o austríaco neo-fascista que faleceu num acidente de viação. O seu braço direito no partido, Stefan Petzner, era afinal também um seu amante de longa data. Banhado em lágrimas, Petzner disse que a morte de Haider foi para ele «o fim do mundo». Resultado: foi imediatamente afastado da liderança do partido.

Um conservador norte-americano não é comparável a um neo-fascista austríaco. Certo. Mas é curiosa a facilidade com que se alinha um homossexual publicamente homófobo no grupo dos oportunistas (whatever gets you through the night), sem pensar que talvez haja uma lógica inerente ao seu comportamento. Não é, ao contrário do que se pensa, absolutamente paradoxal que haja gays ultra-conservadores (este nature vs. nurture sim, é interessante).

Como escreveu Susan Sontag – em 1975 para a New York Review of Books – a propósito do livro SS Regalia, de Jack Pia, se compararmos os uniformes das SS nazis aos dos militares de qualquer outro país veremos que os primeiros eram rigorosamente proporcionais e visualmente admiráveis. Os uniformes nazis não eram meramente utilitários; eram, também, objectos estéticos. Não é, por isso, de admirar que, como escreveu Sontag, «it is among homosexuals that the eroticizing of Nazism is most visible».

Homossexuais reprimidos podem expressar-se cultivando exageradamente a virilidade. Não custa assim tanto a crer. Para a próxima não se admirem – tanto. E, entretanto, vejam lá o Triunfo da Vontade de Leni Riefenstahl. Tamanha busca de clímax extático ultrapassa a política; é religião; e é também erotismo.

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Março 9, 2010 · Deixe um Comentário

Chopin – Nocturno 2 em Mi Maior

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O “chefe” ainda é legítimo

Março 6, 2010 · Deixe um Comentário

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Vida

Março 3, 2010 · Deixe um Comentário

- Lo sai che conservo ancora una cartolina che m’hai spedito da Capo Nord nel 66? In norvegese, credo, era scritta. E sotto diceva la traduzione: «Tutto quello che esiste è bello!!!». Con tre punti esclamativi. Tu ci credi ancora?
- Nei punti esclamativi no, non ci credo più.

La Meglio Gioventù.

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«Men will laugh at almost anything, often precisely because it is—or they are—extremely stupid. Women aren’t like that»

Março 2, 2010 · Deixe um Comentário

Talvez a pergunta correcta não seja «porque são as mulheres, em média, menos engraçadas do que os homens?», mas antes «porque são os homens tão infantis e apalhaçados?» De qualquer modo, este é um texto memorável (que, já agora, teve resposta; mas Hitchens ripostou).

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No dia em que for virtuoso serei de esquerda

Março 2, 2010 · 2 Comentários

Deus-nosso-Senhor-Jesus-Cristo deu-me a graça de ser ligeiramente menos deficiente do que o Rui Tavares. Deve ser um problema onomástico, a nossa anormalidade visual, em mim aparentemente não tão grave porque não mamei O Capital nos cinco tomos das edições Avante! Não o mamei senão indirectamente, diga-se. O que faz de mim, para além de menos míope do que o meu homónimo, o tipo de pessoa que ele tentaria pulverizar com meia dúzia de referências a factos históricos que, mesmo sendo dignos de aplauso em contexto académico francês ou num bar burguês-retro-revolucionário, passam-me tão ao lado como a (dizem) catástrofe da Madeira.

O Rui Tavares seria um bom médico. Já estou a vê-lo, aconchegado pelo numerus clausus, a receitar qualquer coisa para as dores de estômago do paciente depois de lhe dar uma olhada de relance. Do que tu precisas é de mudar completamente os hábitos alimentares, seu palonço; dou-te remédios, mas já sei que vais continuar a empanturrar-te. Se não fosse a Ordem, espetava-te já o lipoaspirador pelo cu acima que era um mimo. Ele joga com o tabuleiro que lhe dão mas a contragosto, porque o tabuleiro que povoa os seus sonhos desde que se conhece é obviamente melhor. Mas enquanto não se materializa o ideal, ele vai diligentemente descrevendo-o para que outros partilhem o idílio.

É tão simples quanto isto: a tragédia da Madeira só o é, uma tragédia, porque os governantes do arquipélago sofrem – como, aliás, os do resto do país – de uma doença chamada democracia representativa, que os faz, vá, infamemente agir em representação do povo que os elege. E claro, como é bom de ver resultam daí erros de gestão territorial que seriam obviamente inexistentes se o povinho tivesse sido ouvido. Porque o povo, sabe-se, percebe de gestão territorial. É isso e ordenhar vacas.

Escudado pelas «palavras claríssimas» de dois gajos – alguém da Quercus e de um geólogo, que cita -, Rui Tavares já tem a solução para que a calamidade não se repita: virar esta democracia do avesso, torná-la bottom-up, porque «o país tem cidadãos suficientes para que as coisas sejam bem feitas. Só que ninguém os quer ouvir». Por mim tudo bem. Faça-se. Mas faça-se ressalvando a possibilidade, marxisticamente ínfima claro, de que a quantidade seja menos sinónimo de qualidade do que de ruído. Admita o historiador, então, uma margenzeca de erro. Assim, olhe, como devia ter feito há coisa de ano e meio quando foi à Pó dos Livros debater a crise financeira com o João César das Neves e saiu de garras limadas.

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♪ «I feel as though I am reborn in my mind»

Março 1, 2010 · Deixe um Comentário

The Smashing Pumpkins – Stand Inside Your Love

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Simon Schama – O Futuro da América

Março 1, 2010 · Deixe um Comentário

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Se todos fossem tão racionais quanto eu o mundo seria bem melhor

Fevereiro 27, 2010 · 5 Comentários

Pois é: os homens tendem a sentir maior atracção por mulheres mais novas. Mas as alminhas do OKCupid (não me perguntem como fui parar ao link) fizeram um estudo estatístico com os registados no site e descobriram que «men between 22 and 30—nearly two-thirds of the male dating pool—focus almost exclusively on women younger than themselves». Nada de especial, à partida. Já o intuíamos (sim, intuição masculina). O que eu não sabia era que «the median 30 year-old man spends as much time messaging teenage girls as he does women his own age». Suponho que isto exclua o Tomás Taveira.

O que acontece, minha gente, é que estatisticamente não há Julietas mais novas suficientes para tirar a barriga de misérias a todos os Romeus que por aí pululam. E se houvesse,  não os saciariam tão eficazmente. Sim, estou a dizer que as mais velhas são mais fogosas: gostam cada vez mais de sexo, querem ser cada vez mais dominadoras (não, não me refiro à cozinha, suas abéculas), são mais auto-confiantes e sentem-se mais felizes. «Whether we ask about bondage or kissing, women are the most sexual in their thirties». E não menos importante: estão “disponíveis” para os mais novos. O que esperam, afinal?

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Hora de rezar

Fevereiro 27, 2010 · Deixe um Comentário

É o mais delicioso título de livro que já vi: The Missionary Position. Do Christopher Hitchens. Sobre quem? A Madre Teresa de Calcutá. Gosto da justificação para o título: «It was either that or Sacred Cow, and I thought Sacred Cow would be in bad taste.»

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